[eu] é uma pessoa problemática. Insiste em pensar e sentir demasiado: não há alegria que passe em vão, nem tristeza que não seja esmiuçada até ao osso. Quando tinha 25 anos, [eu] viu-se, mais uma vez, num imbróglio existencialista: que decisões tomar?, como amansar a angústia?, para onde vou?, quem sou eu?, para onde caminhamos todos?... Esse imbróglio viria a mostrar-se persistente e regular, com direito a almofada própria na cama de [eu]. Certo dia, novamente embrulhada em questões aparentemente sem resposta, [eu] teve uma epifania: existe alguém que tem essas respostas - alguém que já viveu isto, que já sentiu isto e que sabe exactamente como isto acaba: [eu]! O [eu] de amanhã.
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Apenas alguns momentos da História são evidentes para quem os vive. Partilham desta qualidade as guerras, os golpes de Estado e os grandes avanços na Ciência. E as pandemias. 

Vivemos um momento histórico mas, precisamente por estarmos a vivê-lo, encontramo-nos no olho do furacão. Qualquer percepção que tenhamos desse momento poderá estar errada. Qualquer conclusão a que cheguemos poderá ser falaciosa. Qualquer estratégia que consideremos apropriada poderá ser falível. Estarmos certos, ou errados, é tão possível quanto a vida, ou a morte, do gato de Schrödinger. Só mesmo o tempo o dirá. 

Mas imaginemos que podemos conversar com o nosso [eu] de amanhã. Um [eu] que já viveu isto. Que já sentiu isto. Que sabe exactamente como isto acaba.

Podemos fazer-lhe perguntas, mas como um exercício filosófico, onde as perguntas são mais importantes que as respostas. 

Podemos desabafar, como quem desabafa com um velho sábio, que nos saberá orientar para que encontremos, nós próprios, as respostas que buscamos. 

Acima de tudo, ao escrever-lhe, podemos projectar-nos para esse futuro, para esse momento em que tudo isto já passou, em que que já se conhecem as consequências e, enfim, em que se detêm as respostas. 

Não nos iludamos: ninguém nos escreverá de volta. A carta ficará selada, a aguardar que outros nossos olhos a leiam. Mas as respostas, essas, virão ao nosso encontro no mesmíssimo momento em que escrevemos as perguntas. 

/ open-call de escrita >>

Confuso? 

Falemos, então, de coisas práticas.

 

O novo desafio da Mákina de Cena, que surge na sequência da Open Call de Fotografia, ISO[LADOS] (Abril de 2020), é muito simples:

 

Queremos ler-vos. Queremos assistir à conversa que surgir entre vocês e os vossos [eu] de amanhã. Lembrem-se: ele, esse [eu], já passou por isto: sabe como tudo vai acabar. 

O que vos propomos é que escrevam uma carta, um poema, um texto narrativo, uma peça de teatro, um guião para cinema/ TV, um ensaio, onde se coloquem em contacto com o vosso [eu] de amanhã. O que diriam à vossa pessoa de daqui a, digamos, 20 anos? O que lhe perguntariam? O que confessariam? 

Num plano mais abrangente, que soluções irão surgir nos próximos anos? Que soluções para a pandemia, para o distanciamento que se vai impondo entre as pessoas, para o medo e a insegurança, construirá o génio humano?

Que emoções e aprendizagens faz questão de registar, para que não fiquem esquecidas? Que alertas ‘lembra-te disto!’ quer enviar ao seu [eu] futuro? 

Daqui a 20 anos, que palavras vindas de si mesmo gostaria de ler?

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/ como participar >>

A open-call SLASH FORWARD está aberta a pessoas do sexo masculino, feminino, indefinido ou secreto, habitantes do planeta Terra, com mais de 10 anos de idade:

- escalão Júnior – dos 10 aos 14,

- escalão Sénior – dos 15 em diante.

Os textos poderão ser enviados entre 15 de Março e 30 de Junho  de 2021, para o endereço de email geral@makinadecena.com, com o assunto: Slash Forward - envio de texto a concurso. 

No corpo de email deverá constar a identificação do participante: nome completo, data de nascimento, morada, endereço de email e contacto telefónico.

As obras concorrentes devem ser assinadas com pseudónimo do autor e devem ser inéditas e originais. Autorias múltiplas (Ex.: escrita a duas mãos) são possíveis, desde que devidamente identificadas.

Os textos têm como limite máximo 5 páginas A4, dactilografadas a 1,5 espaço entre-linhas, fonte Arial de tamanho 12.

O tema do concurso - uma conversa com o [eu] de amanhã - deve obrigatoriamente ser respeitado e expresso de forma clara. As obras que não respeitem o tema não serão admitidas.

Poderão ser incluídas imagens/ ilustrações, desde que não se exceda o limite de páginas previsto, e que essas mesmas imagens / ilustrações sejam originais e inéditas. No caso de o autor das imagens ser diverso do autor do texto, ambos deverão ser indicados como co-autores da obra, com discriminação de funções (Ex.: José Silva (texto) e Ana Sousa (ilustração). 

Neste âmbito, serão admitidas obras em BD, com obrigatoriedade de incluir texto, e não apenas imagens.

Os resultados da apreciação do júri [Adriana Freire de Nogueira (Directora Regional de Cultura do Algarve), Lídia Jorge (escritora) e um elemento da Mákina de Cena (Patrícia Amaral)] serão divulgados a partir de 15 de Setembro de 2021, via e-mail a todos os participantes e, posteriormente, publicados nas redes sociais e website da Mákina de Cena.
Os textos selecionados (num máximo de 10 por escalão) serão alvo de edição, em formato de antologia, com publicação em data a definir, no último trimestre de 2021.

/ regulamento >>

Consulte e / ou descarregue o Regulamento da Open-Call de Escrita SLASH FORWARD.
A sua leitura é indispensável para a participação informada neste concurso.

Para esclarecimento de dúvidas e pedidos de informação escreva-nos para geral@makinadecena.com.

Clique no ícone para descarregar a minuta da Declaração de Obra Original e Inédita (a anexar devidamente preenchida e assinada no email de candidatura).

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